segunda-feira, 20 de junho de 2016

Pequeno Relato de uma vida

E lá estava ela, tórrida, pálida, flácida... Os anos não a fizeram bem, acertou a alma e o corpo. Seu gênio é o mesmo. Hoje, encarnou em sua cadeira. Não anda, desanda. Ana sua filha, um amor... Cuida da velha com paciência. Não reclama de nada coitada, mas também, a reclamação da velha já basta. De manhã a vejo tomando sol, para ela é um ritual. Sempre foi vaidosa coitada, quando mais nova era “arretada”.  Ela é vítima do tempo como todos nós. Eu particularmente não ligo, sou natural. Quando adolescente tinha um corpo fenomenal, fui atleta corredor. Aproveitei bem a vida, sempre fui trabalhador. Ela com sua vaidade, não se preocupava com nada, nem com a dignidade. Sempre amante do amor e prazer. Conheceu várias pessoas no sentido raso de dizer. Me pergunto quem de nós dois a vida mais aproveitou. Sou um eterno apaixonado, mas na vida encontrei muito desamor. Fui desamado por ela, que nem ser quer tentou. Hoje somos dois velhos, ela com Alzheimer e paraplégica e eu aqui sozinho como os outros necessitado de atenção.

Maycon Martins

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