quinta-feira, 17 de março de 2016

Desabafo de uma ex-ministra


Hoje em dia é muito difícil achar pessoas adequadas para serem ministros da Eucaristia. E eu fico vendo o padre dando posse para essas pessoas que não possuem perfil. A Igreja precisa de trabalhadores, mas não está mendigando não! Duras palavras e mais dura ainda é a avacalhação. Aonde vamos chegar meu Deus? Eu sei que está complicado conseguir pessoas, mas pelo amor de Deus, não temos que ficar saindo catando qualquer um por aí, neh? Outro dia na missa das oito eu vi uma ministra que num primeiro momento parecia estar vestida adequadamente, usava um vestido longo e preto como o pároco pede, uma camisa branca sóbria. Porém, quando ela foi fazer a genuflexão, meu Deus. Do lado do vestido tinha um rasgo que ia dos pés até a coxa, então, quando ela se ajoelhou os homens viram o paraíso e as mulheres a visão caótica do inferno. Fico imaginando, na formação para o ministério deveria ter um curso de bom senso, mas penso que quem dá estes cursos não o tem. Ainda sou da época que o padre cobrava mais dos ministros. Ah se eu fosse padre! Não aceitaria qualquer um para o ministério. Como diz o ditado “Deus não dá asas a cobra”. A começar por aqueles que possuem tatuagem, não entraria de forma alguma, depois os que utilizam do ministério para ganhar status. Muitos vão me perguntar como saber se fulano está por status ou não? Simples, deixe-o ficar servindo o hospital e asilo por um ano, se ele durar é por que está no ministério pelo serviço e não pelas glórias. Proibiria mulheres de usar decotes, cobraria posturas. Tanto homem quanto mulher teria que ficar de pernas juntas. Tem mulheres que ficam de pernas cruzadas quando estão no altar, meu Deus que indecência. E tem homens que sentam de pernas abertas como se estivessem sentados no sofá de suas casas assistindo a jogo de futebol. Gente, isso não pode! Depois me chamam de chata! E não pense que acaba por aí, a coisa complica quando estão levando Jesus para as pessoas. Tem gente que leva Jesus para tudo quanto lado, eu não duvido nada que Jesus não tenha participado de um happy hour por aí. Geralmente eu só critico, não sou dessas que faço abordagem, mas um dia desses não aguentei diante de uma coisa que vi, uma ministra com roupa e tudo, estava com Jesus no peito e com altos papos com um a pessoa na rua. Fui até ela disse: “você não acha que é melhor levar Jesus para onde você tem que levar, e depois conversar o que você tem que conversar?”. Procuro sempre falar com delicadeza, ela como todos inventou um monte de desculpas. Fico indignada como Jesus tem ficado em segundo plano. Estou errada? É melhor eu parar por aqui, são tantos exemplos de incoerência de Ministros Extraordinários da Eucaristia que me deixam tristes. Pena que não posso ser mais ministra!

Por: Maycon Martins

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sexta-feira, 4 de março de 2016

ERA DOMINGO

Era domingo, tinha acabado de almoçar meu prato preferido (peixe à milanesa, arroz soltinho, salada agridoce de folhas verdes e frutas ácidas com manga e maçã) quando decidi ir passear na praça principal da cidade, escovei meus dentes, coloquei uma bermuda a calcei uma sandália. Coloquei para tocar minha playlist favorita. O termômetro da cidade marcava 25°, mas a sensação era de 35°. Para um dia quente, ficar na praça é uma boa opção.  Ao chegar, fui até uma sorveteria e comprei uma casquinha mista, sentei em um banco qualquer e comecei saboreá-lo. Nessa hora já não mais escutava minha playlist, queria ouvir o som do vento nas árvores e das crianças brincando no playground. Terminando meu sorvete, inclinei minha cabeça para o encosto do banco e fiquei olhando para a copa de uma árvore por uns instantes, até que fechei os olhos para sentir o vento fresco em meu rosto. Sou tomado pelo susto ao sentir uma mão em meu ombro direito. Olhei e fiquei surpreso, era nada mais nada menos do que...

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Parte II

II [...] - Terminando meu sorvete, inclinei minha cabeça para o encosto do banco e fiquei olhando para a copa de uma árvore por uns instantes, até que fechei os olhos para sentir o vento fresco em meu rosto. Sou tomado pelo susto ao sentir uma mão em meu ombro direito. Olhei e fiquei surpreso, era nada mais nada menos do que ele, realmente o acaso existe e se não existe, Deus está nos conduzindo de tal maneira que coisas boas nos acontecem a todo instante. Fique surpreso com a abordagem, tinha tantos anos que não nos víamos, lhe dei um abraço e um aperto de mão. A princípio, com toda aquela euforia do reencontro não havia percebido que ele estava maltrapilho e com um odor insuportável, provavelmente há dias ele não tomava banho. Realmente foi muito desconfortável tudo aquilo, e pior é que eu estava com receio de perguntar o que aconteceu. Achando as palavras certas, não hesitei: o que você tem feito da vida meu amigo? Na hora ele mudou o semblante, fixou o olho em mim e soltou um...: Tá de brincadeira neh? São nesses momentos que aquilo que chamamos de cara cai ao chão. Por mais que parecesse uma pergunta retórica, não era, estava imbuído de um preconceito por justamente julgar sua aparência. Não estava sendo sarcástico ou irônico. Pareceu? Mas de qualquer forma após sua resposta, o que me coube foi um desconcertante, desculpa. Após meus sinceros pedidos de desculpas ele começou a dar risadas exacerbadas, (e eu, igual a você sem entender nada) olhou-me de novo e disse: Só queria te zoar, a verdade é que estou assim porque...

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Parte III

III [...] - Após meus sinceros pedidos de desculpas ele começou a dar risadas exacerbadas, (e eu, igual a você sem entender nada) olhou-me de novo e disse: Só queria te zoar, a verdade é que estou assim porque... antes que terminasse sua fala foi interrompido por um homem de meia idade, que foi logo dizendo: meu amigo, meu parça, como cê tá brother? Pareciam amigos, o homem pelo menos estava bem mais aparentado do que ele. Começaram a conversar alguma coisa que não entendi o que, continuei na minha. Depois de uns instantes eles viraram para mim e meu amigo disse: olha, tenho que ir à próxima rua, rapidinho, você pode me esperar? Pois, precisamos continuar nosso assunto. Estava de boa mesmo, então disse que o esperaria. Ele não acreditou, fez questão de me dar sua bolsa para segurar enquanto ele ia lá, resolver não sei o que. Ok, assim sucedeu! Voltei para minha contemplação nostálgica. Minha mãe sempre dizia que alegria de pobre dura pouco, com certeza é um ditado que se aplicava naquele momento. A praça tão monótona e silenciosa foi imbuída por um barulho ensurdecedor de sirene de carro de polícia. Pensei comigo, gente o que está acontecendo? Roubo, incêndio ou homicídio? O carro parou de frente para praça, e eu fiquei só observando, saem dois policiais armados de dentro do carro e começam a olhar para mim. Dou uma olhada para trás acreditando ter alguém ou algo atrás de mim que podia ser responsável por aqueles policias estarem olhando em minha direção. Para minha tristeza, não tinha nada. Enquanto isso os policiais, vinham em minha direção com aquelas armas grandes que não sei o nome e andando rapidamente. Eu já estava suando frio desde que ouvi a sirene, imagine nessa hora, estava caindo pedras de gelo de mim. Aproximavam-se cada vez mais e eu assustado. Me bateu uma vontade de sair correndo ao mesmo tempo que queria ir ao banheiro, pensamento bobo. Até que chegaram e...

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Parte IV

IV [...] - Me bateu uma vontade de sair correndo ao mesmo tempo que queria ir ao banheiro, pensamento bobo. Até que chegaram e me abordaram. “Coloque as mãos na cabeça e abra as pernas”, foi a primeira ordem que recebi, e com certeza não ia ser a última. Tentei indagar o que estava acontecendo, cheguei a dizer que eu não era bandido e que estava só pegando um ar fresco. A resposta que tive foi um safanão na orelha direita, queimou mais que pimenta. E ainda me mandaram calar a boca. Fiquei imaginando, onde estão meus direitos? Se eu não fosse uma pessoa centrada estaria chorando igual uma criança. Mas confesso que a raiva após aquele tapa me dominou, um cidadão de bem sendo tratado como um marginal, isso era demais para mim. Meus pensamentos foram interrompidos por uma frase que mudou meu dia. Então quer dizer que o “senhor” é um “traficantezinho” de meia tigela neh? Acharam dentro da bolsa de meu amigo a quantidade suficiente de drogas para ser considerado tráfico. E adiantou dizer que não era minha? Não entendo muito dessas coisas, mas acho que fui pego no fraga! Me F#d&! Me algemaram e me levaram até a viatura, estava tão bravo, com meu amigo e com esses policiais cegos. Lógico que hoje faço uma outra leitura do fato, mas naquela hora, era o que eu sentia. Pensei que ia no banco de trás, que nada, me tacaram no porta malas, olhei para a praça e todo mundo olhando para mim, as crianças desceram no play, as “tricoteiras” fingiam ser namoradeiras, as portas dos bares lotadas de cacheiros e minha cara abaixada de arder. Da praça à delegacia, fui pensando em meu amigo, coitado... ah quando eu pegar você! Chegando na delegacia fui direto para a cela, passados alguns minutos o delegado chega...

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MAR_TINS

Parte V

V [...] - Chegando na delegacia fui direto para a cela, passados alguns minutos o delegado chega e começa a andar de um lado para o outro do corredor sem dizer um sequer A, aquilo me deixou incomodado. Para começar eu não deveria estar alí, era um simples engano,  e depois, não era necessário me tratar como um marginal. Mais uma vez pensando saber de meus direitos disse: posso agora tentar me explicar senhor? Fui surpreendido com um "CALA A BOCA", grosso! Lógico que disse isso em pensamento, assim como os motivos que me deixaram incomodados. E ele prosseguiu, muito bem, vocês acham que podem zombar de nossas caras, usar os locais públicos, mas especificamente uma praça,  onde as famílias passeam, as crianças brincam para traficarem e venderem essas M#r)@§? Mas eu não vendo nada! Tentei mais uma vez contrapor. Não, claro que não,  deve ser eu que saio distribuindo. Sei que você vende, mas sei também que tem um cabeça maior por trás disso tudo, então você vai me dizer agora quem é!  Já estava ficando chato este delegado falando asneiras comigo, e eu bem para pirraçar o dei às costas! Ele ficou furioso, mas também não podia fazer muita coisa para me prejudicar! Enquanto estava de costas ouvi uma voz familiar,  me virei e percebi que o policial estava trazendo mais alguém,  não acreditei quando vi, era ele,  meu amigo que era o motivo deu estar alí! O policial segurando seu ombro disse para mim: olha quem achamos pelo caminho, ele nos  disse que é conhecido seu e que você não deveria estar aqui! Sacanagem,  era segunda feira!

Crônica de: Maycon Ferreira Martins

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terça-feira, 1 de março de 2016

Olhar do não professo


Foi realmente incrível... estava mais ansioso do que nunca, não parava de pensar o que poderia dar errado. Será que a equipe de canto está realmente preparada? Será que justo hoje o som não vai funcionar? E se a salmista não vier? Ela tem passado por tantos problemas, coitada! Meu Deus, será que está tudo certo para servir o jantar quando tudo acabar? Meus pais, onde estão? Cadê o padre tal, aposto que ele não vem! É tanta gente para cumprimentar, estou tão feliz, estão aqui por mim. E depois? Este é um passo e tanto em minha vida, como cheguei até aqui? Falta pouco para a hora, que dor de barriga, que ansiedade. Será que vou chorar? Estou bonito? Meu Deus que tanto de coisa pra olhar! Enfim vai começar! O padre está animando o pessoal. Nossa... quanta gente, que legal! Estou pronto para procissão, e meus familiares como estão? Será que vão ficar perdidos na hora? É agora, devagar vou pelo corredor, tantos rostos conhecidos que eu vejo, não sei se sorrio ou aceno para eles. Melhor dar um sorrisinho sem graça, vou manter a postura para a procissão não ficar “avacalhada”. Meu Deus quanta gente! O canto de entrada está perfeito, bem animado! Sentado em meu lugar o provincial pôde começar! O rito segue normalmente, estou ansioso pelo finalmente. É a hora da apresentação! Opa, presente! Subi para o altar e fiquei de frente. Perguntou-me, o que queria? A Miserere de Deus e servi-lo como Redentorista. Perguntei se podia fazer parte da família, mas a resposta não veio de prontidão! Fiquei desesperado. Confesso, estou encabulado ao mesmo tempo preocupado, será que vão achar os cantos exagerados? Gostei, ele falou bem. Homilia perfeita, não deixou aquém! É chegada a hora... Perguntou-me mais uma vez. Vai conservar a castidade, abraçar a pobreza e oferecer sua obediência? Consciente disse, quero sim! Fui aceito e me consagrei, jurando sob o evangelho que manterei. Que alegria, é hora de me vestir, meus pais, o padre escolhido e ainda um frater pra acudir. Com toda essa gente ainda demorei em me vestir, nem sabia o que estava fazendo, deixei-os me conduzir. Nem podia acreditar, sou frater, sou professo, estou aqui! Em seguida recebi o livrinho das constituições e depois sob o altar, assinei minha profissão. Depois, muitos abraços ao som de minha composição! Fiquei meio pasmado até o fim da celebração, e como pressuposto chorei, não aguentei de emoção! Fato é que, a Cristo vou servir nesta linda congregação.

By Maycon Ferreira Martins