II [...] - Terminando meu sorvete, inclinei minha cabeça para o encosto do banco e fiquei olhando para a copa de uma árvore por uns instantes, até que fechei os olhos para sentir o vento fresco em meu rosto. Sou tomado pelo susto ao sentir uma mão em meu ombro direito. Olhei e fiquei surpreso, era nada mais nada menos do que ele, realmente o acaso existe e se não existe, Deus está nos conduzindo de tal maneira que coisas boas nos acontecem a todo instante. Fique surpreso com a abordagem, tinha tantos anos que não nos víamos, lhe dei um abraço e um aperto de mão. A princípio, com toda aquela euforia do reencontro não havia percebido que ele estava maltrapilho e com um odor insuportável, provavelmente há dias ele não tomava banho. Realmente foi muito desconfortável tudo aquilo, e pior é que eu estava com receio de perguntar o que aconteceu. Achando as palavras certas, não hesitei: o que você tem feito da vida meu amigo? Na hora ele mudou o semblante, fixou o olho em mim e soltou um...: Tá de brincadeira neh? São nesses momentos que aquilo que chamamos de cara cai ao chão. Por mais que parecesse uma pergunta retórica, não era, estava imbuído de um preconceito por justamente julgar sua aparência. Não estava sendo sarcástico ou irônico. Pareceu? Mas de qualquer forma após sua resposta, o que me coube foi um desconcertante, desculpa. Após meus sinceros pedidos de desculpas ele começou a dar risadas exacerbadas, (e eu, igual a você sem entender nada) olhou-me de novo e disse: Só queria te zoar, a verdade é que estou assim porque...
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MAR_TINS
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