sexta-feira, 4 de março de 2016

Parte IV

IV [...] - Me bateu uma vontade de sair correndo ao mesmo tempo que queria ir ao banheiro, pensamento bobo. Até que chegaram e me abordaram. “Coloque as mãos na cabeça e abra as pernas”, foi a primeira ordem que recebi, e com certeza não ia ser a última. Tentei indagar o que estava acontecendo, cheguei a dizer que eu não era bandido e que estava só pegando um ar fresco. A resposta que tive foi um safanão na orelha direita, queimou mais que pimenta. E ainda me mandaram calar a boca. Fiquei imaginando, onde estão meus direitos? Se eu não fosse uma pessoa centrada estaria chorando igual uma criança. Mas confesso que a raiva após aquele tapa me dominou, um cidadão de bem sendo tratado como um marginal, isso era demais para mim. Meus pensamentos foram interrompidos por uma frase que mudou meu dia. Então quer dizer que o “senhor” é um “traficantezinho” de meia tigela neh? Acharam dentro da bolsa de meu amigo a quantidade suficiente de drogas para ser considerado tráfico. E adiantou dizer que não era minha? Não entendo muito dessas coisas, mas acho que fui pego no fraga! Me F#d&! Me algemaram e me levaram até a viatura, estava tão bravo, com meu amigo e com esses policiais cegos. Lógico que hoje faço uma outra leitura do fato, mas naquela hora, era o que eu sentia. Pensei que ia no banco de trás, que nada, me tacaram no porta malas, olhei para a praça e todo mundo olhando para mim, as crianças desceram no play, as “tricoteiras” fingiam ser namoradeiras, as portas dos bares lotadas de cacheiros e minha cara abaixada de arder. Da praça à delegacia, fui pensando em meu amigo, coitado... ah quando eu pegar você! Chegando na delegacia fui direto para a cela, passados alguns minutos o delegado chega...

Continua em outro post
MAR_TINS

Nenhum comentário: