sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Pela tarde....


“Hoje parei para escrever, não que antes não tinha parado, é que agora as coisas parecem ter sentido, por mais que me digam que poesia sentido nenhum tem. Bobagem! Tem sentido para mim, caso contrario não perderia tempo escrevendo. Mas sabe que as vezes penso que sou louco, outro dia parei para pensar e me veio a mente cogumelos caindo do céu, pareciam guarda-chuvas brancos, logo em seguida digitei em meu Notebook, “ os cogumelos da vida estão todos despencando em cima de mim feitos pingo chuva”. A verdade é que eu não estava bem. Bobagem! Por que tenho que escrever só quando não estou bem? Perguntaram para Adélia se a tristeza é a maior motivação para um poeta, e ela disse que não, concordo discordando, ultimamente tenho estado muito triste. É engraçado que as vezes confundo tristeza com preguiça e preguiça com desânimo. Quando estou triste não faço nada e quando não faço nada estou desanimado. Esquisito! Continuo escrevendo tentando achar algo para dizer, hoje pensei tantas coisas, mas não é fácil vomitá-las, será que se eu tacar o indicador goela a baixo consigo provocar a inspiração? Melhor não tentar! A última vez veio coisas eróticas. Não que tenha medo ou receio de falar, mas é que quando entro num assunto vou longe, corro o risco de escandalizar. Meu amigo veio me visitar pela manhã, não tava com saco. Gente boa ele, mas algo me diz que ele veio pra almoçar. Não que eu ligue para a comida, é que quando estou sem paciência gosto que as pessoas vão depressa. Talvez por isso namoros não deram certos. Outro dia no itinerário, sentou uma senhora perto de mim, gosto da janela, vê a paisagem me encanta. Alivia o stress. Ela me perguntou se eu sabia se o ônibus parava na Getúlio, respondi que sim querendo não dizer, um sorriso entre aberto, fingindo estar feliz. Essa resposta acabou comigo mais ainda. Fiquei o tempo todo pensando que se quando apiasse do ônibus teria que despedir-me, “caramba”! É sempre assim, prefiro não conversar, daí não sou obrigado a despedir. Já que estou falando de ônibus, outra coisa que me execra é favelado ouvindo Funk alto, não sou “afunk” e nem “afavelado”, mas o ônibus é sagrado, principalmente os das seis, todos voltam cansados. Meu amigo queria partilhar-me algo, e eu queria sugerir-lhe que escrevesse, mas aposto que iria ficar chateado. Merda! Por que me ensinaram compaixão? Sou todos ouvidos irmão! Pronto, sabia que era mulher... segunda pior coisa que Deus criou. O que podia dizer para ele, creio que não sou a pessoa ideal. Me saiu um “é foda” e uma abaixada de cabeça e para dramatizar  apertei seu joelho demonstrando compaixão. Mudei de assunto dizendo - mulher é complicada, veja nossa autocrata! Dona Maria nos chamou, o almoço estava servido, nossa... me deu um alivio.  O quê? Jiló?! Pior coisa que Deus inventou!”