Pela tarde....
“Hoje parei para
escrever, não que antes não tinha parado, é que agora as coisas parecem ter
sentido, por mais que me digam que poesia sentido nenhum tem. Bobagem! Tem
sentido para mim, caso contrario não perderia tempo escrevendo. Mas sabe que as
vezes penso que sou louco, outro dia parei para pensar e me veio a mente
cogumelos caindo do céu, pareciam guarda-chuvas brancos, logo em seguida
digitei em meu Notebook, “ os cogumelos da vida estão todos despencando em cima
de mim feitos pingo chuva”. A verdade é que eu não estava bem. Bobagem! Por que
tenho que escrever só quando não estou bem? Perguntaram para Adélia se a
tristeza é a maior motivação para um poeta, e ela disse que não, concordo
discordando, ultimamente tenho estado muito triste. É engraçado que as vezes
confundo tristeza com preguiça e preguiça com desânimo. Quando estou triste não
faço nada e quando não faço nada estou desanimado. Esquisito! Continuo
escrevendo tentando achar algo para dizer, hoje pensei tantas coisas, mas não é
fácil vomitá-las, será que se eu tacar o indicador goela a baixo consigo
provocar a inspiração? Melhor não tentar! A última vez veio coisas eróticas.
Não que tenha medo ou receio de falar, mas é que quando entro num assunto vou
longe, corro o risco de escandalizar. Meu amigo veio me visitar pela manhã, não
tava com saco. Gente boa ele, mas algo me diz que ele veio pra almoçar. Não que
eu ligue para a comida, é que quando estou sem paciência gosto que as pessoas
vão depressa. Talvez por isso namoros não deram certos. Outro dia no
itinerário, sentou uma senhora perto de mim, gosto da janela, vê a paisagem me
encanta. Alivia o stress. Ela me perguntou se eu sabia se o ônibus parava na
Getúlio, respondi que sim querendo não dizer, um sorriso entre aberto, fingindo
estar feliz. Essa resposta acabou comigo mais ainda. Fiquei o tempo todo
pensando que se quando apiasse do ônibus teria que despedir-me, “caramba”! É
sempre assim, prefiro não conversar, daí não sou obrigado a despedir. Já que
estou falando de ônibus, outra coisa que me execra é favelado ouvindo Funk
alto, não sou “afunk” e nem “afavelado”, mas o ônibus é sagrado, principalmente
os das seis, todos voltam cansados. Meu amigo queria partilhar-me algo, e eu
queria sugerir-lhe que escrevesse, mas aposto que iria ficar chateado. Merda!
Por que me ensinaram compaixão? Sou todos ouvidos irmão! Pronto, sabia que era
mulher... segunda pior coisa que Deus criou. O que podia dizer para ele, creio
que não sou a pessoa ideal. Me saiu um “é foda” e uma abaixada de cabeça e para
dramatizar apertei seu joelho
demonstrando compaixão. Mudei de assunto dizendo - mulher é complicada, veja
nossa autocrata! Dona Maria nos chamou, o almoço estava servido, nossa... me
deu um alivio. O quê? Jiló?! Pior coisa
que Deus inventou!”
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