Aconteceu
algo estranho comigo. Uma dor no meu peito. Gritei... Socorro! Cadê todo
mundo? A dor doía... A respiração ficou lenta, parecia o grão de arroz entalado
na goela. Meu Deus! É hoje? Tentei gritar. Socorro, alguém? Eu caio ou
permaneço de pé? Sei lá, preciso me entregar! É tanta dor, Jesus! É
o enfim, caí. Rolo de dor, vou desmaiar. Tudo está ficando escuro, acabou meu
mundo. Morri! Onde estou? Que luz é essa? Quem é? É o céu? Me Deus!
Quem é? Sou eu! Quem é? Jesus! Meu Deus, não acredito! Morri? Sim! Por
quê? Chegou a hora! E agora? Vamos embora! Pra onde? Pra cá! Não
posso! Por quê? E meus sonhos, desejos e amores? Não precisa, ilusão. Não é o
que queria? A salvação? Sim e não! Não era para ser agora, tinha muito o
que fazer! Vivi, eu sei! Engano, pesadelo, mentira! Enfim...
Vou ir, já estou aqui. Então venha, por favor! Ei! Quem é? Maria! Meu
Deus, Maria! Vamos entrar? Já vou, já! Não queria que fosse assim, não
planejei desse jeito! Não queria morrer só! O que importa é que está aqui!
Será? A verdade é que não me preparei! Veja, é a entrada, é o portão! Que
lindo! São Pedro? Sim, sou eu! Posso entrar? Claro, venha cá! Não posso,
o que eu faço? Tu é livre, escolherá! São Pedro, Maria, meu Deus. Tenho que
voltar, ajeitar as coisas, não podem estar como está! Sempre soube que morrer
não era escolha, mas é escolha onde quero ficar! Queria saber o que há detrás
do portão, mas não adianta é tanta irradiação! Mudei de ideia, acho que
vou! Tô indo... Tô indo... Tô indo! O
quê? Onde estou? Você morreu, mas ressuscitou! Não creio! Nem eu! São Pedro,
doutor? Inferno... Agora não sei, escolhi certo? O que há por trás do portão?
Imagino, contínuas escolhas!
Nenhum comentário:
Postar um comentário